O trabalho por quartéis
"Tínhamos ali de Mata da Palhacana para os […]. Para os […], que são aí 5 quilómetros, 6 quilómetros a pé. Levantavam-se às cinco da manhã. Naquele tempo não havia relógios, havia uma pessoa ou duas só que tinha relógio, num lugar que não era nada muito pequeno. Só havia dois relógios! Mas as pessoas tinham os galos. Pelo cantar dos galos tinham aquilo tudo controlado. As pessoas pelo cantar dos galos, ou pelo zurrar dum burro ou por estrelas ou qualquer coisa, tinham sempre uma indicativa. E era a maneira de se levantarem e chegar lá a horas. Porque se chegassem 5 minutos mais tarde depois do sol nascer, já não pegavam ao serviço, tinham que esperar para as 10 horas para pegar ao serviço. Os quartéis: tinham que perder um quartel. Se não estivesse ali à hora exacta, perdiam um quartel. Era muita gente.
E isto, antigamente, a quinta era muito grande, apanhava aquela área ali. Então apanhava ali muita gente. Uns despachavam-se, iam… Aquele que se atrasasse mais um bocadinho, depois já perdia o bico à meada, não é?"