Pedro e o Conde
Era o senhor conde. E um dia o que é que se lembrou?
Conde – Ando aborrecido de viver sozinho. Vou arranjar um rapazito pa' andar comigo a passear.
Naquele tempo não havia automóveis. O que é que ele faz? Vai à próxima vila, ali às Brotas, e então encontrou um rapazinho chamado Pedro. E disse-lhe assim:
Conde – Como é que tu te chamas, meu menino?
Pedro – Eu chamo-me Pedro.
Conde – Atão... Tu queres ir pa' meu criado?
Pedro – Não, senhor. Não quero.
Conde – Vai, que vais muito bem! Comes, bebes, andas sempre mais eu. Deixas de andar assim tão pobre, tão mal arranjadinho. Anda, vem comigo!
O rapaz começou a pensar: " 'pera aí! Eu se calhar faço bem". E aceitou. Foi-se embora mais o Senhor Conde. Mas atão o moço tinha um grande defeito! Era muito mentiroso!
Um belo dia, andava a passear mais o patrão ali por um grande vale e disse para o patrão:
– Ó patrão! De manhã, vim passear aqui. E vi aqui sete raposas! Neste vale.
O patrão calou-se. Andaram mais à frente, disse-lhe o patrão assim:
– Ó Pedro! Olha que nesta herdade há uma ponte. E essa ponte tem um condão. Quem mentiu já neste dia, quando chegar e pisar a ponte, a ponte abre-se! E a pessoa vai pò fundo e morre!
E o rapaz ficou... Pensou: "'pera aí"!
Dali um bocadinho voltou-se pò patrão e fez assim:
– Ó patrão! Não eram sete raposas! Eram só cinco!
Conde – 'Tá bem.
Lá mais pra diante torna o patrão a dizer-lhe:
– Ó Pedro! Olha que já não vamos muito longe da ponte...
Mais um bocadinho, disse para o patrão outra vez:
– Ó patrão! Não eram nada cinco raposas! Eram só três!
Conde – 'Tá bem, pronto.
Quando iam já mesmo a chegar ao pé da ponte, disse-lhe o patrão assim:
– Olha, Pedro! Olha a ponte!
Ele voltou-se com uma grande liberdade e disse para o patrão:
– Ó patrão! Nem eram sete, nem eram seis, nem eram cinco, nem era nenhuma! Eu nem vi raposa nenhuma!
Ainda hoje lá vivem! E a mentira foi à vida! Portanto, vale mais uma verdade que trinta mentiras. É assim. A primeira 'tá terminada.
Maria Augusta, 75 anos, Mora, (conc. Mora), Junho de 2007.