O rapaz e a rapariga
Havia uma ocasião um gajo, um rapazote, começou a namorar uma rapariga. E, atão, foi namorando, foi namorando, foi namorando. Até que um belo dia, assim no tempo do verão, já no calor – ele tinha praí dezoito ou dezanove anos e ela também –, ela começa-lhe a dizer assim:
Rapariga – Ah! Ó fulano! Vamos dar um passeio até ao campo. – 'Tava muita calor.
E abalaram passeando. Chegaram lá a uma sombra (estava muita calor) e deita ela assim:
– Vamos a descansar aqui um bocadinho. Aqui à sombra.
Rapaz – Atão vá.
Descansaram ali. Assentaram-se. E ela ia muito cheia de calor...Começou a despir a copa aqui do cinto por cima. E, atão, ela foi despindo a copa apareceram-lhe... As maminhas! Diz ele assim:
– Eh! Atão que isso que tu aí tens?
Rapariga – Ah! São as 'nhas rosinhas.
Rapaz – Ah, são?!
Rapariga – São.
Rapaz – Atão, eu posso-as cheirar?
Rapariga – Podes.
Ele cheirou.
Rapaz – Eh! Cheiram tão bem!
Bom, ela 'tava muito cheia de calor começou-se a despir mais pra baixo. Apareceu-lhe o umbigo. E diz ele assim:
– Atão, isso aí é o quê?
Rapariga – Ah, isto é o me' cravinho!
Rapaz – Atão, posso-o cheirar?
Rapariga – Podes.
Rapaz – Eh! Cheira tão bem!
Bom, ela 'tava muito cheia de calor e despiu-se mais pra baixo. Apareceu-lhe aquela *rata preta*! E diz ele assim:
– Ah! Atão que é isso?!
Rapariga – Isto é a 'nha ratinha!
E diz ele assim:
– Atão, posso-a cheirar?
Rapariga – Podes.
Ele cheirou.
Rapaz – Hum... A que tempo é que ela morreu?
José Manuel, 87 anos, Brotas, (conc. Mora), Junho 2007.