[Os aros do meu adufe]
«Os aros do meu adufe(1),
ai os aros do meu adufe,
são de pau de laranjeira.
São de pau de laranjeira.
Quem houver de tocar nele,
ai quem houver de tocar nele,
há-de ter a mão ligeira.
Há-de ter a mão ligeira.
Ó ai, ó larilólela
Ó ai, ó larilóló
*De tanto tocar esse adufe*(?),
ai de tanto tocar esse adufe,
eu o farei retinir(2).
Eu o farei retinir.
As mocinhas do meu tempo
ai mocinhas do meu tempo.
eu as farei aqui vir.
Eu as farei aqui vir.
Ó ai, ó larilólela
Ó ai, ó larilóló
Debaixo da serra alta,
ai abaixo da serra alta,
*Alibanca-te*(?) ó barreira.
Alibanca-te ó barreira.
Deixa passar meu amor,
ai deixa passar meu amor,
para a vila da Zebreira(3).
Para a vila da Zebreira.
Ó ai, ó larilólela
Ó ai, ó larilóló
Ó ai, ó larilólela
Ó ai, ó larilóló».
Mariana Leitão, Isabel Maria, Maria Luísa, Zebreira, Idanha-a-Nova, Setembro de 2010
Glossário:
(1) Adufe – instrumento musicalportuguês, também conhecido por pandeiro, que consiste num quadro em madeira coberto dos dois lados por peles de carneiro ou cabra e dentro do qual são colocados sementes, grãos, etc. É tradicionalmente tocado por mulheres na Beira Baixa e Trás-os-Montes. É agarrado pelos polegares de ambas as mãos e pelo indicador da mão direita sendo tocado com os outros dedos livres, à altura da cabeça, e com um cantos voltado para cima.
(2) Retinir – fazer soar.
(3) Zebreira – vila e freguesia do concelho de Idanha-a-Nova, situada na região Centro de Portugal, sub-região da Beira Interior Sul, distrito de Castelo Branco.
Na execução deste glossário consultaram-se: http://www.infopedia.pt;http://www.nunocristo.com/adufe port.html;http://www.jose-lucio.com/INR/Fazer/Fazer009.htm;http://www.priberam.pt; http://pt.wikipedia.org