As três filhas
"Havia um casal que tinha três filhas. E havia uma que ia casar – faz de conta, de hoje a oito dias. E o pai disse assim para a mãe:
- Olha, temos que aproveitar as raparigas. E vamos semear favas e vamos semear ervilhas; fica tudo tratado, que depois não temos tempo.
- Está bem.
Vai mais a mulher para a fazenda e elas ficaram em casa, as raparigas. A que ia casar – faz de conta, de hoje a oito dias – pôs-se em frente ao espelho do guarda-vestidos e era:
- Ai, de hoje a oito dias… Ai, de hoje a oito dias, ai de hoje a oito dias… -e nada de ir para a fazenda.
Vai a outra pôs-se a olhar, muito séria:
- Ai, quando serei eu?... Ai, quando serei eu?...
A mãe veio cá acima e disse:
- Então, vocês nunca mais vão para baixo? Então anda lá o teu pai sozinho?
A mulher ficou também. Começa a que ia casar:
- Ai, de hoje a oito dias…
Começa a outra:
- Ai, quando serei eu?...
Diz a mãe:
- E faz hoje trinta anos que o teu pai me… -stop!
Elas não havia meio de ir para baixo! O velhote veio cá acima.
- Então, o que é que se passa? Então o que é que se passa?
Vê aquele trabalho, elas naquela cantiga, diz ele assim:
- Olhem, coza-se as ervilhas
E coza-se o trabalho
E faz hoje trinta anos
Que a tua mãe…"