Memoria Imaterial CRL
Instituto de Estudos de Literatura e Tradição - patrimónios, artes e culturas

M E M O R I A M E D I A

e-Museu do Património Cultural Imaterial

O rico e o pobre

nome:
Maria Falcão e Maria Lopes
ano nascimento:
1935 e 1938 (respectivamente)
freguesia: Caçarelhos
concelho:
Vimioso
distrito:
Bragança
data de recolha: Outubro 2010
 
 
 

Dados de inventário
  • O rico e o pobre
  • Vimioso

    "O rico e o pobre" - Conta a história de uma órfã pobre que pede esmola a uma senhora rica e que, no fim, devido ao amor de Jesus se aproximam.

     

    Grupo de Vimioso - Maria Falcão e Maria Lopes.

    ano de nascimento 1935 e 1938 (respectivamente). Caçarelhos.

    Registo 2010.

Transcrição
  • O rico e o pobre (teatro popular)

     

    - Sou rica bastante.

    Nem mais um instante,

    aqui onde estou.

    O ouro que brilha,

    sedas e centilhas,

    nunca me faltou!

     

    - Dá-me uma esmolinha,

    pelo amor de Deus!

    Mais tarde t’rás(1) um prémio

    lá nos Céus(2).

    Mais tarde t’rás um prémio

    lá nos Céus.

     

    - Toma tu juízo!

    Não dou, nem preciso

    esmola te dar(e).

    Se andas pela rua,

    a culpa é tua.

    Podes trabalhar(e)!

     

    - Pequena e doente,

    que posso eu fazer(e)?

    - Pois custa-me tanto

    a fome sofrer!

    Pois custa-me tanto

    A fome sofrer!

     

    - Ó que rapariga

    tão aborrecida,

    já estou maçada(3)!

    Podes-te ir embora

    e sem mais demora,

    que eu não te dou nada.

     

    - Também já fui rica,

    alegre e feliz.

    Tendo a cor da’ rosas,

    brancas e gentis.

    Tendo a cor da’ rosas,

    brancas e gentis.

     

    - Não te compreendo!

    Como é que tu sendo

    rica, como dizes,

    mostra a beleza!

    Mostra a riqueza

    dos tempos felizes.

     

    - Ao vir eu ao mundo

    morreu minha mãe.

    Meu pai adorado

    faltou-me também.

    Meu pai adorado

    faltou-me também.

     

    -Ó pobre orfãzinha!

    Irmã pequenina da’ rosas lousãs,

    não tens sempre ternos

    carinhos maternos.

    Nós somos irmãs…

     

    - Por esmola, um beijo!

    Há quanto eu não tinha.

    Já nem me parece

    que sou pobrezinha.

    Já nem me parece

    que sou pobrezinha.

     

    - Vem tu ter comigo,

    terás por abrigo

    o meu coração.

    Juntas viveremos

    e nos amaremos

    com dedicação.

     

    - Juntas trabalhando

    só para Jesus!

    Como é levada

    tão pesada cruz!

    Como é levada

    tão pesada cruz!

    Maria Falcão e Maria Lopes, Caçarelhos (Vimioso),Outubro de 2010

     

    Glossário:

    (1) T’rás – terás.

    (2) Céus para onde vão as almas do justos, dos santos e onde estão os anjos.

    (3) Maçada – aborrecida, entediada.

    Referências bibliográficas e recursos online utilizados no glossário:http://aulete.uol.com.br;http://www.infopedia.pt; http://www.priberam.pt

     

     

     

     

     

     

     

     

Caracterização
    • Fragmento de teatro popular
Identificação
  • O rico e o pobre
  • Grupo de Vimioso
  • Ver resumo
  • Trabalhadoras agrícolas reformadas.
Contexto de produção
Contexto territorial
  • Caçarelhos, Vimioso, casa de Francisco Augusto
Contexto temporal
  • Hoje sem periodicidade certa. Encontros informais e iniciativas do Município de Vimioso
Manifestações associadas
  • Teatro Popular Português
Contexto de transmissão
  • Estado de transmissão
    • activa
  • Residentes do concelho de Vimioso que são convidados para iniciativas do Município e Biblioteca de Vimioso.

Equipa responsável
  • José Barbieri e Filomena Sousa
  • José Barbieri
  • Maria de Lurdes Sousa
  • José Barbieri - realização do documentário (ver link em documentação)


 

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