O Diabo no muro da igreja
Essa minha tia não tinha medo! À minha tia podia-lhe aparecer quem lhe aparecesse! Diz que, uma vez, que ia para a missa primeira! E era Inverno. Ela é que conta, que ela também é muito de histórias, a minha tia! Quem vinha da primeira… da última casa – a contar, a primeira, a ir para lá; a contar, a última, a vir para cá, da ilha – tinha um muro. E a minha tia olhou para cima do muro e disse:
- Ó desgraçado! Não tens vergonha, que está a chegar o dia?! Ainda estás aí desgraçado?
- Quem era, tia?
- Ó!... Era o Diabo que estava ali! Estava assentado em cima do muro!
- Como é que você sabe que era o Diabo, tia?
- Sei, cachopa! Que ele tinha pés de cabra! Não tinha os pés iguais a nós. E eu pelos pés é que sabia que ele era o Diabo! Tinha os pés de cabra. -ela a contar: -Desgraçado! Desavergonhado! Não tens vergonha, desgraçado, que está a chegar o dia e vem o pessoal para a missa?! Vai-te embora, desgraçado! Ele ficava cheio de medo e fugia.
Mas ela não tinha medo de nada, não tinha medo de nada. Ela não tinha medo. Essa aí não tinha medo de nada!