Sobre as serenatas
[José Barbieri:] – «Havia aqui muito fado?
[Alcino do Fundo:] – Havia, antigamente, nas tabernas e isso. Fazia-se muito isso. E, às vezes, ajuntavam-se aí e estas, por exemplo, às vezes, a gente pa’ namorar cantávamos uma[s] serenatas disto e daquilo. Andávamos sempre assim. Da minha idade! E antigamente ainda era mais.
[José Barbieri:] – A cantar a serenata, iam sozinhos cantar ou levavam mais uns amigos?
[Alcino do Fundo:] – Às vezes com uma guitarra, outras vezes íamos assim com o realejo também. Andávamos muito assim.
[José Barbieri:] – E a serenata tinha uma hora?
[Alcino do Fundo:] – Era a partir da meia-noite.
[José Barbieri:] – A partir da meia-noite.
[Alcino do Fundo:] – É. Mas começávamos: detrás daquela janela, uma lebre deitada…
debaixo desta oliveira…
nem chove nem cai orvalho.
Ó menina que está nela
não me dês mais trabalho.
Detrás daquela janela
há uma lebre deitada.
Ó janela, quem ta vir
Ó lebre, quem te agarrara por ela…
- ‘Tá a perceber ? Era assim uma trovas… Como aquelas que lhe cantei ontem. »
Alcino Teles do Fundo, Vimioso, Outubro de 2010